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A travessia no deserto: Perigos, propósitos e providência Divina.

Por Mairo Menezes – DEUS É FIÉL – Minha experiência missionária

A travessia no deserto: Perigos, propósitos e providência Divina.

Meu silêncio nas ultimas edições, se deu, devida nossa última viagem missionária ao Moçambique. Apesar de havermos viajado para este país, o relato que desejo narrar hoje é uma das tantas experiências que vivenciamos durante nossa viagem para o Peru agora no mês de janeiro do corrente ano (2019).

Nosso ponto de referência é na cidade de Lima, dali viajamos para o norte do país onde apoiamos um acampamento de jovens da Igreja dos Peregrinos del Peru no distrito chamado “Chiclin” próximo a cidade de “Trujillo”.

Embarcamos num ônibus e viajamos até a cidade de “Trujillo” e dali até “Chiclin” viajamos em taxi.

Desde nossa chegada foi possível contemplarmos o poder de Deus agindo na vida das pessoas envolvidas com este acampamento e também nas nossas. Desde o momento da recepção podemos sentir o amor, o respeito e a consideração daqueles irmãos para conosco.

A família do irmão Lúcio que nos deu guarida em sua casa (o número da casa era 22 e em outra oportunidade vou contar um mistério de Deus conosco por meio deste número) era bem simples, porém, muito hospitaleira, sou grato a Deus pela vida dos irmãos.

Bueno, dentre as tantas experiências que vivemos nesta viajem missionária no Peru foi interessante a travessia do deserto na “Carretera” Pan-americana norte na Ruta 1N.

Entre as cidades de Chao e Guadalupito existe um grande deserto de terras áridas e rochosas costeando o oceano Pacífico antes de chegar a Lima. Neste deserto é comum ocorrerem assaltos por bandos armados que atacam os ônibus durante a travessia.

Acabado o acampamento na localidade de Chiclin rumamos até a cidade de Trujillo para dali tomarmos ônibus e seguir até Lima, viajaríamos a noite toda e chegaríamos a Lima pela manhã. Este era o nosso plano, porém, Deus sempre tem os seus planos onde guarda aos que o temem e ensina os que estão atentos a sua voz.

Enquanto aguardávamos o horário de saída fomos tomar um cafezinho, neste tempo furtaram a mochila do irmão Daniel Vasques. No momento que ele deu falta da mochila começamos uma oração intensa para que Deus frustrasse o plano maligno de nos atrasar e perdermos o ônibus. O irmão Daniel rastreou seu telefone celular que estava dentro da mochila e conseguiu acompanhar o percurso que a pessoa que furtou estava traçando. Assim ele avistou a pessoa com a mochila falou com a mesma que argumentou que estava levando para despachar para embarque na plataforma e tal, enfim o homem inventou uma desculpa para acobertar o furto. Então o irmão Daniel falou que precisava pegar seu telefone dentro da bolsa e quando ele conseguiu agarrar das mãos do homem falou para o pessoal da segurança deter aquela pessoa e registrar a ocorrência do furto. Assim conseguimos embarcar baixo muita opressão.

Embarcamos no grande terminal “Terrapuerto” mais ou menos umas 21h e iniciamos a jornada de retorno à capital. Aparentemente o ônibus era muito bom, dois andares, poltronas leito, tomadas para carregar celular, wi-fi, etc. viajamos pouco mais de meia hora e começou a dar problemas no ônibus que numa determinada altura quebrou e parou de funcionar ficando a margem da rodovia.

Nesse meio tempo enquanto resolvia o problema do ônibus uma parte dos passageiros desembarcou. Eu peguei meu violão sentei numa pedra e fiquei tocando louvores. Nisto aproximou-se um rapaz com uma conversa e jeito meio estranho, disse que era colombiano que também era crente só que estava meio afastado e tal. Percebi uma agitação de alguns passageiros, um grupo queria voltar para Trujillo, outro insistentemente queria seguir viagem assim que arrumassem o ônibus.

O Pastor Jorge Vasques que coordenava nosso grupo pediu que orássemos e vigiássemos, sendo que havia maldade no ar. Começamos a orar e o movimento ficou muito estranho. Pararam dois carros muito suspeitos um na frente e outro atrás do ônibus, um homem saiu na frente e atacou outro carro que passava e sumiu da área. O irmão Daniel Vasques (filho do Pr. Jorge) chamou a polícia e quando esta chegou à agitação ficou ainda maior. Aquele rapaz que a pouco falara comigo tentou disfarçar e sair sem ser percebido juntamente com outro jovem e os policiais falaram firme com eles. Os mesmos não pararam então o um dos policiais sacou a arma e deu voz de autoridade que se não parassem iria atirar. Renderam os rapazes e foram averiguar, estavam armados e foram detidos no ato, depois de alguma investigação concluíram que havia um grupo de umas 12 pessoas envolvidas na tentativa de assalto que foi frustrada pelo problema do ônibus que quebrou antes de entrarmos na região do deserto.

Nós sabemos que foi Deus dando livramento. Bueno! O irmão Daniel Vasques posicionou-se e fez que a polícia nos escoltasse de volta até Trujillo assim que conseguiram fazer o ônibus funcionar.

Durante o caminho o Pr. Jorge foi dando indicações para pastores amigos de Trujillo para que nos monitorassem sabendo onde nos encontrávamos para o caso de alguma emergência.

Chegando a Trujillo dormimos na casa de um Pastor amigo que nos deu guarida até o dia seguinte. Os homens dormiram no chão da sala (éramos uma equipe grande) as moças e mulheres dormiram em camas nos quartos.

No outro dia seguimos nossa jornada de retorno só que, ao vermos o ônibus que nos levaria até Lima ficamos apreensivos parecia uma “lata-velha”, sem ar condicionado – faziam uns 37° – quase sem poltrona, enfim, um carro muito precário, até os faróis eram atados com arame para não cair, olhando a aparência era um carro bem sinistro. O irmão Samuel Machado ficou pensando consigo mesmo como podia ser que aquele carro nos levasse ao nosso destino? E o Senhor ministrou em seu coração: Ontem pensaste que viajaria no luxo, porém missão não se faz no luxo e sim na fé, eu garanto sua viajem. E assim foi, saímos cerca das 9h da manhã e próximo das 22h chegamos à capital sem problemas alem do calor, mas até nisso Deus teve misericórdia de nós enviando sempre um vento nas janelas.

Retiramos algumas lições desta travessia: Primeira: É menos perigoso e mais bonito viajar a luz do dia, segunda: As aparências enganam sim, o primeiro ônibus era mais bonito e mais barato, porém, não nos levou onde precisávamos chegar o outro ônibus era mais feio, mas nos levou vagarosamente ao nosso destino.

Assim que, quando lemos na Bíblia dos perigos do deserto que nossos irmãos primitivos atravessaram é emocionante, agora vivenciar esta situação foi impactante, porém, em tudo isso; somos mais que vencedores em Cristo Jesus nosso Senhor porque até em meio aos perigos do deserto Deus é Fiel.

Que Deus lhes abençoe e até o próximo episódio se Deus quiser.

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