ColunasDestaques

O rapto da vida

Por Linda Sanhudo

Em um dia que era para ter sido como os outros, cheio de alegria, com aquelas palavras sábias e incentivadoras, com aquele sorriso largo; faltou tudo, faltou o abraço forte que só ela sabia dar, sim porque o abraço e o carinho de mãe são diferentes.

A explicação é algo que simplesmente não existe. No trem da vida, em uma estação desembarcou aquela mulher forte, batalhadora, que não achava nada difícil, e que distribuía sempre sorrisos mesmo que estivesse passando por provações.

Desde cedo ensinou aos filhos o caminho que deveriam andar, pois era uma serva do Senhor, e também sobre valores ao ver seu exemplo eles tinham em quem se espelhar. O sol parecia não brilhar, e o azul do céu se transformou em um dia cinzento. As perguntas sem respostas. Então as lágrimas pareciam queimar a face, o coração despedaçado pela dor, e sem entender nada, pois nessa hora as palavras não tem sentido, foi como se um abismo surgisse.

E então com apenas 15 anos e outros três irmãos para criar, se perguntava: “o que vou fazer agora” ?? Aquela mãe que com muita dedicação e garra criava seus filhos já não estava mais presente para dar conselhos, ouvir as queixas deles, ou para simplesmente curar um machucado, pois as mãos de uma mãe contém o antídoto do amor. Recordou então um louvor que sua mãe sempre entoava quando estava a cuidar dos seus afazeres “Quando teu sol escurecer e a sós penares teu sofrer, não desanimes pra vencer há um caminho só. Confia em Deus que ele sempre te ouvirá. Confia em Deus e ele nunca falhará. Confia em Deus que a negra nuvem passará. Ó não duvides mas confia em Deus”. O louvor parecia ecoar aos seus ouvidos. E foi como se tivessem arrancado dela a joia mais preciosa, sua melhor amiga, aquela com quem ela sempre conversava de seus sonhos, do seu dia a dia, agora sem chão, o que ela mais queria era acordar e tudo simplesmente não ter passado de um pesadelo. Tinha que assimilar agora a responsabilidade que estava em suas mãos de educar os pequenos e tentar ser exemplo para eles. As amigas e colegas que estiveram junto naquele momento difícil até hoje a acompanham pela vida, mesmo de longe continuam sendo verdadeiras, e são com certeza mais que amigas.

Em um determinado dia ela resolveu escrever uma carta, na verdade foi como um desabafo; se tivesse tido apenas tido 5 minutos para falar diria tanta coisa. A cada dia a saudade aumentava e então ela lia aquelas folhas como se fosse resolver algo, cada vez que lia chorava, pois sentia muita falta, era um aperto no peito minha melhor amiga, minha mãe não voltaria do trabalho, não faria as coisas gostosas que só ela sabia fazer e não iria mais comigo na vigília de final de ano, não me daria seus conselhos, e nem se orgulharia de mim.

O exemplo deixado por ela até hoje eu sigo de ser uma pessoa batalhadora e determinada, sempre peço a Deus que dirija meus passos e que eu faça as coisas de modo que ele se agrade e me abençoe. Tudo aconteceu no mês de maio, há 35 anos.

Eu como ela, sou serva de Deus, sorridente, verdadeira, batalhadora, decidida e tendo passado por tudo isso cedo me tornei em uma verdadeira muralha.

Tags

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fechar

Adblock Detectado

Considere nos apoiar desabilitando o bloqueador de anúncios