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Por que você se foi?

Era mês de maio, 29, maio mês das mães. Até hoje me questiono, por quê? Acho esta pergunta muitos filhos fazem quando se sentem sozinhos pela falta da presença materna.

Quando eu fiquei sabendo a dor que eu sentia era como se no meu peito um buraco tivesse aberto, era muita dor, o chão me faltou, o dia para mim perdeu a cor. E aquela pergunta surgiu na minha mente na hora. Será que eu não fui uma boa filha?

Eu não queria conversar, não queria ver ninguém… eu queria que fosse apenas um engano, que viesse alguém e me dissesse ” fique calma , não foi ela ” , mas nada disso aconteceu.

E eu então pensava ao olhar para meus dois irmãos pequenos “agora terei duas crianças para cuidar;” ela tinha 05 e ele 07 anos e eu apenas 15 e meu irmão mais velho 17.

Minha mãe já havia me ensinado muito por ser batalhadora, firme, nunca vi ela reclamar de nada, trabalhava muito para que não nos faltasse nada. Ela cozinhava, era confeiteira, era servente em uma escola e a merenda que ela fazia na escola era deliciosa, lembro da criançada feliz quando era ela na cozinha, mas ela também fazia faxina quando alguém chamava aos domingos e aqueles deliciosos bolos, salgadinhos, docinhos também fazia.

E nos finais de semana quando ás vezes ficava em casa, fazia coisas deliciosas e o tempero que colocava em tudo era o amor, e tudo ficava delicioso. E no inverno lembro que cedo ela fazia um chocolate que a gente levantava para ir à escola e sentia aquele cheiro gostoso vir da cozinha.

Mas uma das coisas que também via ela fazer, era aos domingos dar aulas na igreja, e com muita alegria ela preparava tudo para eles e eu pequenina acompanhava ela em tudo, e no domingo não importava se era frio ou tinha geada, cedo ela nos acordava ” tem escola dominical”, hora de levantar”, assim ela nos encaminhou na vida, nos ensinando o caminho e sendo exemplo para nós.

E quando ela se foi, o domingo era o dia mais difícil para mim, pois sempre tinha ela por perto no domingo, mas ela trabalhava de noite, cozinhava em um restaurante.

Hoje eu olho para trás e vejo o quanto ela me fez falta, e então penso o melhor presente para um filho é a presença de sua mãe. Com ela aprendi a sorrir sempre, nunca me encolher pra nada, encarar a vida de frente e ir sendo abençoada por Deus em cada etapa que surge, não reclamar, pois tendo saúde e vontade se vai em frente e se conquista o que é preciso.

Por muitos anos tive dificuldade quando se aproximava o dia das mães, só ficou diferente para mim quando eu casei e fiquei grávida, aí comecei a olhar de uma outra forma, mas todos os exemplos que a minha mãe deixou para mim me ajudaram e ainda ajudam até hoje.

Enquanto eu escrevia este texto, muitas lembranças vieram, muitas lágrimas insistiram em brotar e também muita gratidão a Deus por ter me sustentado firme e me conduzido pela mão e depois de tudo também ter me dado o privilégio de experimentar a melhor forma de amar que é ” ser mãe.”

Da minha até hoje lembro do sorriso, da maneira que ela tinha de resolver as coisas, do modo dela de ser, e da benção que foi aquela mulher.

E hoje só tenho a agradecer, pois mesmo tendo me deixado muito cedo, um dia eu tive o carinho, o amor, o conselho, a dedicação e o extraordinário amor de minha mãe.

Se eu tivesse tido apenas um segundo a mais eu teria dito o mesmo que todos os filhos diriam ” Mãe não se vá …mãe não me deixe” …. Das páginas da minha vida. Caçapava do Sul, maio, 2020. “Feliz Dia Das Mães! “

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