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Jesus não é Deus, diz Yossef Akiva

Por Geremias Couto

Viralizou nas redes sociais uma transmissão ao vivo de Yossef Akiva, feita a partir do Instagram, onde ele textualmente diz que Jesus não é Deus, adorá-lo precisa ser revisto, bem como precisam ser revistas certas tradições do texto sagrado. Para quem não sabe, o personagem em tela é um pregador que se diz judeu, muito bem recebido em diferentes púlpitos assembleianos, chegando a pregar no famoso Congresso dos Gideões Missionários da Última Hora. Uma de suas peculiaridades é vender réplicas da arca do concerto, como se fossem uma espécie de amuleto protetor de quem adquire. A ser ele judeu é uma longa controvérsia que foge ao escopo do nosso propósito, que, no caso, é chamar a atenção para a declaração feita pelo suposto pregado.

Inicialmente, sem qualquer rodeio ou tentativa de amenização, o que Akiva (ou seria Marcelo?) afirmou é heresia elevada a absoluta potência, digna do anátema, por tentar ferir de morte uma doutrina central da Escritura, inclusive para os verdadeiros judeus que se convertem a Cristo, como aconteceu com o apóstolo Paulo. Tal ensino é, sem qualquer subterfúgio, de natureza diabólica. Ouvi que ele teria pedido desculpas, teria sido dito de forma impensada, mas mesmo lhe dando o benefício da dúvida, outros que cometeram heresias equivalentes lançaram mão do recurso, mas continuaram a repetir os mesmos erros e outros piores. Ademais, para um tema central da Escritura, desculpas não bastam, senão arrependimento, confissão pública do pecado, mudança de coração e despir-se de todos os penduricalhos judaizantes que jamais fizeram parte da fé cristã. Uma leitura da epístola aos Gálatas ajuda muito na compreensão do tema.

Não é preciso exegese aprofundada para afirmar que Jesus é Deus, com todos os atributos comunicáveis e incomunicáveis da divindade. O apóstolo Paulo, judeu de nascimento, em seu majestoso cântico de Filipenses 2.5-11 deixa claro que ele não usurpou do direito de existir em forma Deus para negar-se a cumprir o propósito do decreto intratrinitário de vir ao mundo para morrer a morte substituta em nosso lugar. O apóstolo João, também judeu de nascimento, introduz o seu Evangelho referindo-se a Cristo como o Verbo que não só estava com Deus, mas também era Deus. Para não deixar dúvidas, o mesmo judeu Paulo fala aos cristãos romanos que dos patriarcas Jesus descende segundo a carne, isto é, em sua humanidade, mas que ele é “Deus bendito para todo o sempre”, Romanos 9.5. O resto é chover no molhado.

Mas como o mencionado pregador consegue atrair uma horda de seguidores que o aplaudem, defendem e quase o deificam? Primeiro, porque muita gente vive de ondas. São pseudocristãos que torna rotativa a sua busca pela fé, vivendo de onda em onda. Quando uma bate na praia e logo se esvai, saem em busca de outra, pois o que lhes importa é o atrativo, o floreio, a mistificação, o arranjo, o glacê, a aparência, o ritualismo, sem se importarem com o conteúdo.  Primeiro, porque falta a muitos crentes o conhecimento da Palavra, que, quando muito, lhes serve de amuleto na cristaleira da casa, com um exemplar aberto no Salmo 91. Mas se o visitante olhar bem, perceberá que aquele Bíblia há muito não é lida de tão empoeirada que está.

Mas em quarto lugar, pregadores com esse perfil encontram espaço em nossos púlpitos, porque muitos desses pastores também pouco conhecem a Bíblia, mas precisam promover movimentos a fim de manter a casa cheia, visto que eles mesmos nada têm para oferecer como alimento o rebanho. São igrejas que vivem de ativismo, onde se come muito algodão doce multicolorido, mas onde a essência do Evangelho se perdeu ao longo do caminho. O negócio, então, é trazer os akivas da vida para suprir a irresponsabilidade pastoral que jamais deveria permitir que mercenários e enganadores passassem sequer perto da porta das igrejas que pastoreiam. É duro o discurso? Sim. Reconheço. Mas ovelhas bem alimentadas, que conhecem a voz do verdadeiro Pastor, ao qual os pastores por ele concedidos à igreja (ovelhas com sino) pastoreiam com o verdadeiro alimento jamais se lançarão nos braços do mercenário.

Sim, Jesus não é sob qualquer hipótese inferior ao Pai.  Como disse o judeu Paulo ao seu discípulo Timóteo, ele é o “Deus [que] foi manifestado em carne, foi justificado no Espírito, contemplado pelos anjos, pregado entre as nações, crido no mundo e recebido acima na glória”, 1 Timóteo 3.16.

 

Geremias Couto é Pastor, escritor, jornalista, conferencista, casado com a profa. Debora Couto.

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