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Participação e novas gerações estão no centro do futuro das cooperativas

Evento em Brasília reuniu cooperativas de todo o país e ratificou práticas da Cotrisul

Preparar novas gerações para participar, compreender e assumir responsabilidades dentro das cooperativas foi um dos principais desafios debatidos na Semana de Competitividade 2026, realizada entre 11 e 13 de agosto, em Brasília. O encontro reuniu cerca de 800 representantes do cooperativismo brasileiro e teve entre os participantes a gerente de Recursos Humanos da Cotrisul, Gislaine Dias.

Com o tema “Cultivando a Cultura Cooperativista”, a programação discutiu caminhos para que o crescimento e a profissionalização das organizações ocorram sem enfraquecer aquilo que diferencia uma cooperativa de uma empresa convencional: a participação dos associados e a construção coletiva de seus rumos. Governança, educação cooperativista, comunicação, juventude, legado e sucessão estiveram entre os principais assuntos do encontro.

A preocupação tem relação direta com o futuro do próprio modelo. Durante um dos laboratórios, especialistas destacaram que aproximar os jovens exige mais do que criar programas específicos para esse público. É necessário compreender suas expectativas e oferecer oportunidades concretas de participação e desenvolvimento dentro das cooperativas. A formação de novas lideranças também apareceu como condição para a continuidade das organizações entre diferentes gerações.

No meio agropecuário, esse desafio acompanha mudanças que já ocorrem dentro das propriedades. A entrada de novas tecnologias, a digitalização da gestão e a sucessão familiar alteram a maneira como produtores mais jovens acessam informações e se relacionam com as organizações do setor.

Na Cotrisul, uma das iniciativas que contribuem para essa aproximação é o incentivo ao uso do SmartCoop, plataforma que digitaliza a gestão rural e permite o atendimento de novas exigências, como a emissão de notas fiscais eletrônicas e a rastreabilidade da soja.

Ao mesmo tempo, fortalecer a próxima geração depende de manter próximo também o quadro social atual. Um dos casos apresentados em Brasília mostrou uma cooperativa gaúcha que decidiu rever seu modelo de relacionamento depois de constatar redução da participação dos associados e o risco de ser percebida apenas como uma prestadora de serviços. A criação de novos espaços de escuta, formação e participação ajudou a recuperar o envolvimento do quadro social.

A Cotrisul também vem desenvolvendo um projeto de recadastro e realinhamento do relacionamento com seus associados. Desde 2025, a cooperativa trata com mais profundidade os temas de interesse do produtor rural em um canal de entrevistas no YouTube, além de redesenhar o modelo de núcleos de desenvolvimento cooperativista. Mais do que atualizar informações cadastrais ou oferecer novos canais, a proposta se relaciona a um desafio mais amplo: ampliar o vínculo e o senso de pertencimento.

Pesquisa apresentada durante a Semana de Competitividade ouviu 9.761 pessoas e apontou dificuldades de informação e conhecimento entre os obstáculos à participação. Educação, formação e informação apareceram como prioridade para 58% dos cooperados ouvidos.

Ao final do encontro, o Sistema OCB reforçou que a continuidade do cooperativismo dependerá justamente da capacidade de transformar essas discussões em práticas dentro das organizações, aproximando cooperados, colaboradores e futuras lideranças dos princípios que sustentam o modelo.

 

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