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Sul do RS: estagnação e fuga de talentos

por Paulo Serpa

A histórica divisão entre a Metade Sul e a Metade Norte do Rio Grande do Sul continua a marcar profundamente o destino da população. Enquanto o Norte se consolidou como polo industrial e tecnológico, o Sul permanece preso a um ciclo de estagnação: forma milhares de jovens, mas não lhes oferece empregos qualificados.

Com cerca de 2 milhões de habitantes, a Metade Sul forma, anualmente, entre 16 e 20 mil no Ensino Médio e cerca de 10 mil no Ensino Superior, em universidades como UFPel, Unipampa e Furg. No entanto, o mercado de trabalho local cria apenas 8 a 15 mil vagas formais por ano, muitas delas de baixa remuneração e exigência técnica limitada. O resultado é a migração em massa de jovens para Porto Alegre, Caxias do Sul, Florianópolis ou São Paulo.

A política educacional, embora meritória, tornou-se instrumento de votos mais do que de transformação. Multiplicar cursos e diplomas sem oferecer oportunidades locais é condenar a região a ser exportadora de talentos. A evasão escolar, que chega a 12% em alguns municípios, reflete a falta de perspectivas: jovens abandonam os estudos para trabalhar cedo ou simplesmente não veem sentido em se qualificar para um mercado que não existe.

O contraste é gritante. A Serra Gaúcha e a Grande Porto Alegre diversificaram sua indústria e criaram empregos de alta remuneração. Já a Metade Sul continua dependente da administração pública, do comércio e da agropecuária. Mesmo setores estratégicos, como portos e celulose, não conseguem gerar o dinamismo necessário para reter talentos.

E há um paradoxo ainda maior: a região possui reservas minerais valiosas – ouro, cobre, zinco, fosfato e terras raras – mas não consegue transformar esse potencial em riqueza. Falta uma política de mineração responsável, que agregue valor local por meio de beneficiamento e metalurgia, fortalecendo cadeias de fornecedores e criando empregos qualificados. A chamada Faixa de Fronteira, em vez de ser motor de integração, acaba reforçando a desigualdade.

O desafio é claro: não basta multiplicar diplomas. É preciso alinhar políticas educacionais com estratégias de desenvolvimento econômico, para que a Metade Sul seja protagonista do seu próprio futuro.

Diretor-geral da Lavras do Sul Mineração

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