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E era noite de Natal… 

Por Linda Sanhudo     

O verdadeiro sentido do Natal não está nas roupas bonitas, sandálias ou sapatos novos, nem nos presentes que as pessoas compram para seus familiares ou algo que queiram para si próprias. Com certeza é maravilhoso poder presentear familiares e amigos. Entendo que melhor que presentear os amigos é poder realmente contar com eles nos momentos difíceis onde somente os verdadeiros amigos prevalecem: estendem a mão, escutam, emprestam o ombro quando percebem que alguém necessita e sempre tem aquele abraço no qual nenhuma  palavra é dita, pois aquele envolvente abraço dissipa a dor ou o problema que o outro está passando.

As casas ganham um colorido diferente, muitas até uma pintura caprichada, outras ficam iluminadas á noite anunciando que o Natal se aproxima. Algumas pessoas costumam renovar os móveis, muitos já envolvidos no espírito natalino compram cestas básicas e escolhem famílias para que estas possam ter um final de ano um pouco melhor. Muitos se reúnem para sentar a mesa, para participar da ceia, uma variedade de especiarias que o cheirinho é sentido por quem passa na calçada, janelas abertas músicas tocam, alegria no ar… e muitos a festejar.

Em nossos dias o tempo passa depressa, a correria do dia a dia cada vez mais diminui o espaço de um ano para o outro embora continue tendo 365 dias. Quando pequeninos ficávamos perguntando seguidamente quando é o Natal? Falta muito ainda para chegar? E a curiosidade aumentava quando o pensamento estava na espera pelo presente. É claro que tudo era observado no decorrer do ano inteiro “obedeceu”, “fez os temas sem ter que ser forçado”, “ajudou nas tarefas”, “não se intrometeu na conversa dos adultos”,  e se for analisar hoje será que algo é pedido, analisado ou cobrado? Ou tudo vem sem que se ensine os pequenos a fazer a sua parte desde cedo. Isso ajuda na formação da criança e não é nenhum serviço, apenas uma orientação valiosa.

A mãe era esforçada, trabalhava muito para que nada faltasse aos seus quatro rebentos de oliveira. Fazia coisas deliciosas, biscoitos em formato de árvore, deliciosos por sinal. Quando alguém precisava uma faxina ela aproveitava o domingo e não recusava mesmo que fosse o único dia para estar em casa. Bolos e salgadinhos também eram feitos por encomenda principalmente para as festas natalinas. Mas naquele ano não lembro o porque, mas ela não conseguiu comprar presente para os filhos. Então como costumavam esperar a meia noite chegar, aquela noite estava mais enluarada e estrelada do que os outros dias; então sentaram para ouvir sobre o nascimento de Jesus. Depois de ouvir atentamente os pequenos não imaginavam que seus pais não haviam conseguido comprar os presentes. Ela sempre com muita alegria, falou para eles que agora quase chegando a hora estavam ansiosos: ” esperem que eu já volto.” Ela tinha conseguido comprar apenas um pacote grande de balas mastigáveis. E então ela se emocionou pedindo perdão a eles, pois só tinha aquele pacote de balas para repartir entre eles. Então se abraçou a eles e orou a Deus agradecendo por ter eles cheios de saúde junto dela. A felicidade daquele momento, ali abraçados recebendo afeto e carinho.

Aquelas balas foram as mais deliciosas e valiosas que eles já haviam experimentado na vida. E era noite de Natal…

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