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O Deus de Pelúcia (Parte 1)

pr Alcione Leite

(O termo Deus de Pelúcia, não é uma forma irreverente de referir se a Deus, mas uma metáfora e trazer uma reflexão ao estado atual de alguns contextos evangélicos no Brasil)

O Deus das escrituras é Santo, sua santidade não é apenas um adorno em seu caráter, mas o centro do seu ser. Diante desse Deus santo Isaias treme e se declara perdido ( Isaias 6.5), Moises tira a sandália de seus pés, reconhecendo que o solo era sagrado pela presença divina, simbolizando reverencia, humildade e santidade (Êxodo 3.5), Ananias e Safira caem mortos por terem mentido (Atos 5), Pedro pede distância do Senhor por ser pecador (Lucas 5.8), João caiu como morto ( Apoc. 1.17) e tantos outros fatos poderia relatar aqui, mas o problema não é Deus ser Santo, mas sim os homens pecadores e pequenos demais diante da gloria desse Deus.

O homem por sua vez pecador, não é porque erra as vezes, mas alguém gerado em pecado, a Bíblia não descreve o pecado como um deslize ocasional, mas sim como uma condição: mortos em seus delitos e pecados (Efésios 2.1-5) e entre o Deus Santo, e o homem pecador há um abismo real, profundo moral e espiritual, humanamente intransponível, que não se atravessa com boas obras, boas intenções ou discursos otimistas. E é aí que o evangelho se torna escandaloso e belo, a cruz não existe porque Deus exagerou no drama, mas porque não havia outro caminho, a graça é preciosa porque custou sangue, e sangue inocente, o amor do Deus Santo é poderoso, e não ignorou o pecado e nem o pecador, mas, resolveu resgatar (Joao 3.16).
E quando o homem olha para si, e vê a sua condição de pecador, e olha para esse Deus santo consegue ver o abismo intransponível, e a CRUZ, é a sua única alternativa para esconder-se da ira vindoura de um Deus Santo e justo.

Porém, a Teologia moderna em sua ânsia de ser palatável, resolveu, resolver o problema do abismo, diminuindo Deus, suavizando o pecado, e em vez de um Deus Santo, colocaram um deus de ‘PELUCIA” macio, previsível, manipulável, inofensivo, um deus que não mais confronta, exige santidade, jamais diz não, um deus terapêutico, cujo principal objetivo é melhorar a autoestima humana sem transformar o coração, ou mudança de estilo de vida. Nesse contexto o homem já não é pecador, é apenas desorientado, perdido, ferido, confuso ou compulsivo, onde arrependimento e novo nascimento vira um conceito ultrapassado, a santificação é opcional ou desnecessária, a obediência passa a ser vista como legalismo, a cruz deixa de ser um símbolo de morte substitutiva e redentora, e vira um símbolo de aceitação irrestrita, promete liberdade, tudo é graça, ou hiper graça e amor, de um deus afável, doce ,compreensível aceita a todos, já não há mais temor, tudo é perdão. O deus de PELUCIA, não salva, pois, o homem não pecador não precisa de um salvador, apenas de uma religião e de coachings espirituais de programas religiosos.

A famosa frase de Charles Spurgeon (teólogo e pregador Século XX): chegara o dia em que no lugar de pastores alimentando ovelhas, haverá palhaços entretendo bodes.

Mas o verdadeiro Evangelho de Cristo, as boas novas, do qual o Apostolo Paulo disse não se envergonhar por ser o poder de Deus para a Salvaçao. (Rom. 1.16). Este evangelho não nos conforta primeiro, antes nos confronta, não nos acaricia antes de nos crucificar, esse mesmo evangelho tem poder de nos perdoar, justificar, nos resgatar, e nos dá acesso a uma nova vida, o Deus Santo não ignora o pecado, ele nos liberta dele através de seu amor expresso na Cruz, este Deus Santo não nos deixa como estamos, mas nos atrai apara perto dele, para sermos parecidos com Cristo.

Já o deus de PELUCIA, até pode ser confortável, mas jamais sera digno de adoração… (próxima edição parte 2)

Pr Alcione Leite.
Pastor auxiliar Igreja Familia de Deus. Graduado Ministério Pastoral , Graduando em Teologia Unifil- Londrina

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